As causas da crise de abastecimento de água em Almada
O concelho de Almada atingiu em 2026 o consumo de água mais elevado dos últimos 75 anos. O aumento homólogo de 4,3% representa o dobro da taxa de crescimento anual média das últimas décadas (cerca de 2%).
Nos dias de maior calor, a procura de água ultrapassou o volume que os SMAS conseguem extrair diariamente das captações (furos), forçando a implementação de um modelo de distribuição rotativa.
O sistema de abastecimento de Almada depende quase exclusivamente de água subterrânea captada em furos no Sistema Aquífero da Bacia do Tejo-Sado / Margem Esquerda (designado T3).
A procura superior à capacidade de extração dos furos existentes é uma das causas imediatas apontadas pela própria autarquia.
A conjugação de temperaturas extremas com o pico de afluência turística na época balnear gerou um aumento súbito e dramático do consumo. A Costa da Caparica, principal destino balnear da Margem Sul, vê a sua população multiplicar-se no verão.
Os SMAS confirmaram que "a procura está a ser superior à água que conseguimos captar nos nossos furos", atribuindo a situação às temperaturas elevadas e ao aumento significativo da população sazonal.
Esta é apontada como uma das causas estruturais mais profundas. De acordo com várias fontes jornalísticas, houve "ausência de planeamento e de manutenção adequados por parte dos SMAS ao longo de várias décadas".
O Plano de Ação da Câmara inclui a expansão de depósitos de armazenamento, a renovação da rede de distribuição e o acompanhamento técnico permanente das condutas.
Portugal é um dos países europeus mais vulneráveis às alterações climáticas e à seca. De acordo com a OCDE (2023, 2025):
Vários partidos políticos e entidades têm apontado falhas de gestão como causa agravante: